“Tudo é rio” tem uma escrita confusa, mas gostosa
A escritora Carla Madeira, em seu livro “Tudo é rio”, usa uma técnica de escrita chamada estilo indireto livre; quando o narrador e as falas das personagens se confundem. Em contraste com trechos em que as vírgulas são desnecessárias ou estão em falta, a escrita em “Tudo é rio” é fluida e me lembrou muito Caio Fernando Abreu, que no meu conceito tem uma literatura confusa, mas gostosa.
A escolha das palavras é certeira – com a obscenidade das frases chulas e a poesia das reflexões bem feitas-, a autora convida o leitor a emergir em uma obra crítica, intensa e reflexiva.
As três personagens principais são Lucy, Venâncio e Dalva.
Lucy, a nossa protagonista, é uma puta – e o leitor, durante boa parte da obra, se verá em dilemas morais suscitados pela jovem mulher.
Venâncio, esposo de Dalva, é o homem que Lucy não pode ter. Não porque é casado, mas porque não quer nada com Lucy. A ânsia da jovem -que possui as curvas e as maçãs dos rosto certas – de possuir Venâncio é tão grande e o fato dele não demonstrar quaisquer sinais de desejo a atormenta.
O livro não é linear o que, de certa forma, lhe confere um gostinho especial; o leitor se sente imerso em diversos círculos que se abrem e nós, leitores, ficamos mais imersos na leitura tentando saber o que está por vir.
O sucesso de “Tudo é rio”, ao meu ver, se dá principalmente pela “tiktotização” da nossa atenção que, minada pelos estímulos rápidos, ganha o leitor em capítulos curtos, envolventes e que deixam um gostinho de quero mais; um sentimento parecido com o que, provavelmente, o mel de Lucy deve suscitar…