Ensaio

No tabuleiro da vida, quem é o impostor?

janeiro 3, 2025 · Pedro K. Calheiros

Quando não há maldade no olhar, tende o observador a achar que todos são bons.

Foi assim que, por algum tempo, não percebi a morbidez que subjaziam movimentos recheados de doses imperceptíveis de cianureto.

Como que movido por um impulso maior do que posso transpor, por vezes me vejo a pensar -e, em síntese, meus devaneios me levam a lugares um tanto quando curiosos, sobretudo quando o assunto são os subterfúgios que albergam as interações humanas.

Pego-me a pensar o que move cada um de nós a tomar atitudes tão controversas, muitas vezes indo até em choque com o que nós mesmo dizemos.

É curioso pensar que há tantos jogos de tabuleiro em que o objetivo é tentar achar o “impostor” ou o “farsante” e que, de um jeito ou de outro, acabam por remontar as estruturas sociais que delineiam o próprio teatro da vida.

Não digo, em absoluto, que pessoa X ou Y é vilã; dentro da sua própria cabeça, ela é a protagonista; e está fazendo o que acha melhor para a sua própria sobrevivência. Ninguém é bom ou mal. Todos somos, a depender do contexto, heróis ou vilões na história de alguém.

Numa visão mais espiritualista, creio que tudo acabará bem; enquanto alguns colhem, outros plantam. A lei da semeadura não é falha e, cedo ou tarde, cada um há de receber seus dividendos.

A minha mente jaz em paz e, a lembrar de uma fala da minha terapeuta, encerro com uma pergunta: As atitudes que você toma em seu dia a dia o deixam mais próximo ou mais distante da pessoa que você quer se tornar?