Conceito, objeto e o aspecto tríplice da Doutrina Espírita
Como cheguei até o Espiritismo?
Conheci o Espiritismo através de um centro espírita perto de casa chamado Porto de Luz; a minha mãe me levou pela primeira vez porque, segundo ela, um médium havia visto coisas ruins ao meu redor.
Criança, eu não entendia bem o que estava fazendo, mas eu sabia que me sentia muito bem e amava tomar água fluídica no final.
A minha família, católica, respeitou quando anos depois eu comecei a frequentar a Fundação Allan Kardec, na Avenida Mário Ypiranga, em Manaus, e passei a me dedicar aos estudos doutrinários.
Há duas coisas que sempre me fascinarem dentro da doutrina; a primeira é que todos os ambientes são repletos de muita luz, então eu sempre me senti muito bem dentro das atividades.
A segunda é que, diferentemente de outros lugares, há uma sensação de progresso. Estudando, fazendo todos os cursos necessários e me dedicando, posso me tornar um “facilitador”, “dirigente” ou alguém que também ajuda a difundir a doutrina. Enquanto em outros lugares eu serei apenas mais um “fiel” subordinado a alguém que supostamente foi escolhido por Deus.
Conceito: Espiritismo ou Doutrina Espírita?
“Para coisas novas, palavras novas”, foi assim que Allan Kardec cunhou o termo Espiritismo, como ele explicou na Introdução de O livro dos espíritos:
“Para designar coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à diversidade de sentidos das mesmas palavras. As palavras espiritual, espiritualista e espiritualismo possuem acepção bem definida. Dar-lhes uma nova significação para aplicá-las à doutrina dos Espíritos seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Com efeito, espiritualismo é o oposto de materialismo; todo aquele que crê haver em si alguma coisa além da matéria é espiritualista; porém, não se segue que acredite na existência dos Espíritos e nas suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar essa última crença, as palavras Espírita e Espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, têm a vantagem de ser perfeitamente compreendidas, deixando o espiritualismo para o seu sentido próprio. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível.”
O objeto do Espiritismo
Assim como a ciência se dedica a desvendar as leis que regem o mundo físico, o Espiritismo, conforme ensina Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, busca compreender as leis espirituais que orientam a existência imaterial e a conexão entre corpo e espírito. A ciência convencional se concentra nos fenômenos observáveis, enquanto o Espiritismo explora aquilo que está além do tangível, investigando a origem, a natureza e o destino da alma.
Kardec argumenta que ciência e Espiritismo não se opõem, mas se complementam. Cada um atua em um campo diferente, mas juntos fornecem uma visão mais completa da realidade. Enquanto a ciência estuda as leis físicas e materiais, o Espiritismo se dedica às leis morais e espirituais, aprofundando o entendimento da evolução da alma e do sentido da existência. Segundo Kardec, à medida que a ciência avança, ela tende a corroborar princípios da doutrina espírita, reforçando a harmonia entre ambos os saberes.
Com um método semelhante ao científico, o Espiritismo analisa de forma objetiva os fenômenos mediúnicos, identificando leis universais que regem tanto a vida encarnada quanto a desencarnada. Além da investigação, a doutrina espírita propõe uma filosofia moral baseada na caridade, na justiça e no amor ao próximo, valores essenciais para o progresso espiritual da humanidade.
Dessa forma, ciência e Espiritismo se unem na busca pela verdade. Enquanto a ciência explica como os fenômenos materiais acontecem, o Espiritismo revela o porquê e o para quê da existência, oferecendo uma visão integrada e profunda da realidade.
O tríplice aspecto da Doutrina Espírita
O Espiritismo, segundo Allan Kardec, é fundamentado em um tripé essencial que abrange ciência, filosofia e religião, formando o chamado aspecto tríplice da doutrina. Esse conjunto proporciona uma visão abrangente da existência, unindo o conhecimento científico, a reflexão filosófica e os princípios éticos e espirituais.
1. Ciência:
O Espiritismo adota um método de investigação semelhante ao científico para estudar fenômenos espirituais e mediúnicos. Ele analisa com objetividade as manifestações dos espíritos e busca identificar leis universais que regem a relação entre o plano material e espiritual. Como ciência de observação, a doutrina espírita valoriza a experimentação e a análise dos fenômenos para oferecer explicações racionais sobre a comunicação entre encarnados e desencarnados, sem recorrer a dogmas.
2. Filosofia:
Além de investigar os fenômenos espirituais, o Espiritismo também se apresenta como uma filosofia que convida à reflexão sobre questões fundamentais da vida. Entre os temas abordados estão a origem e o destino do espírito, o significado da reencarnação e a razão da dor e do sofrimento. A doutrina espírita busca respostas para o “porquê” e o “para quê” da existência, encorajando a busca por conhecimento e a evolução moral através do autoconhecimento e da compreensão da natureza espiritual do ser humano.
3. Religião:
Embora o Espiritismo não tenha rituais ou dogmas, ele é considerado uma religião pelo seu propósito moral e espiritual. A doutrina oferece uma visão ética pautada em valores como amor ao próximo, justiça, caridade e perdão, incentivando o progresso espiritual através da prática desses princípios. A religiosidade espírita está centrada na reforma íntima e na vivência desses ensinamentos, promovendo a união entre ciência e fé para alcançar uma espiritualidade consciente e madura.
A Unidade do Aspecto Tríplice:
Esses três aspectos – ciência, filosofia e religião – não atuam de forma isolada, mas se complementam e se fortalecem. A ciência espírita oferece base racional e experimental; a filosofia aprofunda o entendimento dos princípios espirituais; e a dimensão religiosa orienta a vivência prática dos valores morais necessários à evolução do espírito. Juntas, essas vertentes proporcionam uma compreensão integral da existência, promovendo não apenas o conhecimento, mas também a transformação moral e espiritual da humanidade.
O aspecto tríplice do Espiritismo destaca sua singularidade ao unir razão e fé, possibilitando uma visão mais ampla e coerente da vida, tanto no plano material quanto no espiritual. Assim, a doutrina espírita se estabelece como um caminho para o autoconhecimento, a compreensão do universo e o progresso contínuo do espírito rumo à plenitude.