“Como as democracias morrem” é a minha leitura favorita do ano
“Como as democracias morrem”, de Daniel Ziblatt e Steven Levitsky, destacou-se como uma das minhas leituras mais marcantes em 2024. A obra analisa como políticos com tendências antidemocráticas podem manipular as próprias regras do sistema democrático para usurpar o poder, corroendo as instituições e transformando gradualmente a democracia em uma ditadura.
Diferentemente do que muitos imaginam, as democracias não são mais destruídas com tanques de guerra, sangue derramado e militares nas ruas. Elas se desmantelam de forma silenciosa e sutil, quando outsiders chegam ao poder e utilizam a estrutura e as instituições democráticas para se perpetuar no comando, transformando o sistema em uma ditadura disfarçada.
Um exemplo clássico ocorreu em 1973, quando Augusto Pinochet deu um golpe de Estado no Chile, depôs o presidente Salvador Allende e instaurou uma ditadura militar em meio ao caos: ruas ocupadas por militares, violência explícita e repressão em larga escala. Já na Venezuela, o processo foi diferente, mas igualmente destrutivo. Tudo começou quando Rafael Caldera, um político em declínio, resolveu dar espaço ao então desconhecido Hugo Chávez, prometendo perdoá-lo caso vencesse as eleições pela sua tentativa de golpe estado ano anterior. Caldera foi eleito e pavimentou o caminho para que, em 1998, Chávez chegasse à presidência. O desfecho? Bem, o mundo assistiu ao desmoronamento gradual da democracia venezuelana.
Compreender os sinais que uma democracia dá quando está em crise é fundamental para evitar que a história se repita de forma negativa; infelizmente, muitos insistem em enxergar o que melhor lhe convém. “Como as democracias morrem” fala, através de exemplos históricos, do Brasil, e explica a onda bolsonarista que surgiu no país a partir de 2018 e a frente ampla que se formou em 2022 para evitar que Bolsonaro fosse reeleito.