Em cartaz
Não seria a primeira vez — e com certeza não seria a última — que o meu olhar de poeta pousaria sobre um terreno fértil para a literatura. Fiquei a pensar, diria melhor, a sentir tantas coisas — que me senti até um pouco culpado por tantos pensamentos libertinos que estavam a me invadir.
Ela era branca, sua tez suave me remetia a uma pintura de Ron Hicks. O seu olhar me lembrava um poema do Drummond, e as suas curvas, uma escultura de Michelangelo.
É bem provável que não desse em nada, de encantamento o mundo da escrita já está cheio; precisava registrar, como quem tira uma foto, a memória daquele corpo num texto, posto que a particularidade daquele universo ficará em meu imaginário por preguiça, tédio e rebeldia ao decidir não fazer nada.
No cinema da minha vida amorosa, já há filmes demais em cartaz.